Angola: 24 anos de paz e a transformação de um país pós-guerra (PT)
- AngolaPolitics
- October 9, 2026
Angola consolida paz e aposta na diversificação da economia
ACCRA — Angola assinala mais de duas décadas de paz e reconciliação nacional, período marcado pela reconstrução das infra-estruturas, estabilidade política e económica e criação de condições para a diversificação da economia nacional.
Desde o alcance da paz, em 2002, o país tem procurado transformar a estabilidade alcançada numa base para o desenvolvimento económico e social, num processo que ganhou novo impulso com as reformas promovidas pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, desde 2017.
A estratégia do Executivo tem privilegiado a estabilidade macroeconómica, a melhoria do ambiente de negócios, a atracção de investimento privado e o aumento da produção nacional, com particular atenção aos sectores não petrolíferos.
Crescimento do sector não petrolífero
Os resultados mais recentes indicam uma maior contribuição dos sectores não petrolíferos para o crescimento da economia.
No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) de Angola cresceu 8,74 por cento, em termos homólogos, com o sector não petrolífero a registar uma expansão de 9,24 por cento, acima do crescimento de 5,64 por centoobservado no sector petrolífero.
O desempenho reflecte o dinamismo de actividades como a agricultura, indústria transformadora, comércio, transportes, comunicações e outros serviços.
A evolução confirma a importância da estratégia de diversificação económica defendida pelo Executivo, numa altura em que Angola procura reduzir a exposição da economia às oscilações do mercado internacional de petróleo.
A agricultura e a indústria assumem, neste processo, um papel estratégico, sobretudo na produção nacional de alimentos, criação de emprego e redução da dependência das importações.
Estabilidade macroeconómica
A consolidação da estabilidade macroeconómica constitui igualmente uma das prioridades da governação de João Lourenço.
Nos últimos anos, Angola registou uma redução significativa do peso da dívida pública sobre o PIB, acompanhada por uma trajectória de redução da inflação.
Em Agosto de 2026, a inflação homóloga situou-se em 8,78 por cento, mantendo a tendência de desaceleração observada ao longo do ano.
Estes indicadores contribuem para melhorar as condições de previsibilidade da economia e podem favorecer o investimento privado, embora persistam desafios relacionados com o desemprego, informalidade, poder de compra e melhoria das condições sociais.
Paz e convivência política
A estabilidade alcançada desde 2002 constitui uma das principais conquistas do período pós-guerra.
O fim do conflito armado entre o MPLA e a UNITA permitiu que a disputa política passasse do campo militar para as instituições do Estado, com os antigos adversários a participarem no processo eleitoral, parlamentar e democrático.
A existência de divergências entre as principais forças políticas não impediu a preservação da paz e da unidade nacional.
Esta realidade constitui um dos aspectos mais relevantes da experiência angolana: antigos adversários de guerra passaram a coexistir e a disputar o poder através das instituições, sem retorno ao conflito armado.
Para o Presidente João Lourenço, a preservação da paz e da reconciliação nacional permanece associada à estabilidade necessária para promover o desenvolvimento económico e social.
Um novo ciclo de desenvolvimento
Mais de duas décadas depois do fim da guerra, Angola encontra-se perante uma nova etapa: transformar a estabilidade política em prosperidade económica mais abrangente.
O desafio passa por garantir que o crescimento dos sectores não petrolíferos se traduza em maior produção nacional, emprego, rendimento e oportunidades para os cidadãos.
A construção de infra-estruturas, a expansão da produção agrícola, o crescimento da indústria e a modernização dos serviços públicos fazem parte deste processo.
Neste contexto, a liderança de João Lourenço está associada a uma agenda que procura combinar estabilidade, diversificação económica, investimento e modernização do Estado, mantendo a paz como condição fundamental para o desenvolvimento.
A experiência angolana demonstra que a paz não representa apenas o fim do conflito: constitui também uma condição para reconstruir instituições, desenvolver a economia e criar as bases de uma sociedade onde diferentes correntes políticas possam coexistir e competir dentro do mesmo Estado.
Para Angola, o desafio da próxima fase será transformar os ganhos de estabilidade e crescimento em desenvolvimento económico mais inclusivo e em melhores condições de vida para a população.
