Brasil vai a votos com Lula na frente, mas segunda volta ganha força
- ElectionWorld
- October 4, 2026
As últimas sondagens dão vantagem ao Presidente brasileiro, mas nenhuma aponta para uma vitória na primeira volta. Num eventual confronto com Flávio Bolsonaro, a distância entre os dois é reduzida.
BRASÍLIA — Os brasileiros vão este domingo às urnas para escolher o Presidente da República num cenário que aponta para uma segunda volta. Luiz Inácio Lula da Silva surge à frente nas principais sondagens para a primeira volta, mas nenhuma lhe atribui votos suficientes para ultrapassar a fasquia dos 50% dos votos válidos e evitar uma nova votação.
O primeiro turno realiza-se este domingo, 4 de Outubro. Se nenhum dos candidatos obtiver maioria absoluta, os dois mais votados regressam às urnas a 25 de Outubro.
É esta possibilidade que domina a recta final da campanha, mais do que saber quem termina a primeira volta em primeiro lugar, a questão é perceber se algum dos candidatos conseguirá reunir votos suficientes para encerrar a eleição já no domingo.
Os últimos estudos de opinião mostram uma vantagem de Lula, embora com diferenças significativas entre os institutos.
O Datafolha atribui ao Presidente 45% dos votos válidos, contra 42% de Flávio Bolsonaro. A Quaest coloca Lula nos 46% e Flávio nos 45%. Na sondagem da CNT/MDA, Lula chega aos 47,8%, contra 42,1% do candidato do Partido Liberal. A AtlasIntel/Bloomberg aponta para 47% e 44,1%, respectivamente.
Nenhum destes resultados permite falar de uma vitória na primeira volta. Mesmo a estimativa mais elevada para Lula fica abaixo dos 50% necessários para evitar uma segunda votação.
Uma disputa que pode começar de novo
É no cenário de segunda volta que a incerteza aumenta.
Num confronto directo entre Lula e Flávio Bolsonaro, as sondagens apresentam resultados muito próximos.
O Datafolha coloca Lula com 47% e Flávio com 46%. A Quaest apresenta Flávio com 44% e Lula com 42%. Na AtlasIntel/Bloomberg, os dois aparecem praticamente empatados: 47,6% para Lula e 47,4% para Flávio.
A diferença entre os levantamentos aconselha prudência na leitura dos números. As pesquisas foram realizadas em momentos diferentes e obedecem a metodologias próprias, com amostras e margens de erro distintas. Uma vantagem de poucos pontos não deve, por isso, ser confundida com uma tendência consolidada.
O agregador de sondagens do UOL dá conta dessa aproximação. Na primeira volta, a média coloca Lula nos 40,5% e Flávio nos 37,2%. Num eventual segundo turno, a diferença reduz-se para 45,1% contra 44,8%.
O dado mais relevante é, portanto, a distância reduzida entre os dois candidatos nos cenários de segunda volta, e não uma suposta certeza sobre quem venceria.
Os votos que podem decidir a eleição
Uma segunda volta mudaria a natureza da disputa. Os candidatos que ficarem pelo caminho deixariam de estar na corrida, mas os seus eleitores passariam a representar um dos principais alvos das duas candidaturas.
A transferência desses votos poderá ser decisiva, assim como a mobilização dos eleitores que actualmente não revelam preferência ou que admitem votar branco ou nulo.
A geografia eleitoral também deverá pesar. Lula mantém uma posição mais forte entre os eleitores de menor rendimento e no Nordeste. Flávio Bolsonaro apresenta maior apoio em segmentos de rendimento mais elevado e em determinadas regiões do Sul e do Sudeste.
Uma segunda volta obrigaria ambos a procurar eleitores para além das suas bases tradicionais. A campanha deixaria de ser uma disputa entre vários candidatos, com diferentes alternativas políticas, para se transformar num confronto directo entre duas candidaturas.
A dimensão económica
A incerteza eleitoral também é acompanhada pelos mercados e pelas empresas. O Brasil é a maior economia da América Latina e uma das principais economias emergentes, pelo que a definição do próximo Governo terá consequências para as expectativas de investimento, a política económica e a relação entre o Executivo e o Congresso.
Uma segunda volta prolongaria por mais três semanas a definição da Presidência e manteria em aberto o debate sobre as prioridades económicas do próximo mandato, incluindo a política orçamental, o investimento público e o enquadramento regulatório.
Mas será prematuro retirar conclusões económicas a partir das sondagens. Os números medem intenções de voto, não resultados eleitorais, e a distância entre os candidatos continua suficientemente curta para que pequenas alterações na participação e na distribuição dos votos tenham efeitos relevantes.
O Brasil chega, assim, ao primeiro turno com Lula à frente nas principais sondagens, mas sem uma vantagem que lhe permita dispensar uma segunda votação. Se nenhum candidato ultrapassar os 50% dos votos válidos, a eleição será decidida a 25 de Outubro.
Até lá, a principal certeza é precisamente a ausência de certezas, Lula parte na frente no primeiro turno, mas os dados disponíveis deixam em aberto a configuração da disputa que poderá seguir-se.
